Ensino Médio

Postado em 27/08/2009 às 16:53 horas por Vânia Bittencourt.

Às vezes tenho a impressão de que assistimos aos fatos da vida como se estivéssemos em frente a um aparelho de TV: nós nos emocionamos, nos surpreendemos, nos alegramos e até nos indignamos com coisas que vemos, mas não agimos. Parece que a ação pressupõe responsabilizar-nos. Então, ficamos imobilizados perante a realidade. Vemos crescendo entre crianças e jovens comportamentos de violência, agressividade, desrespeito, e nada, ou pouco, fazemos. Tudo acontece com “os outros”. Nada nos afeta diretamente.

Os casos de bulling parecem ser fruto desse descaso. Descaso com o outro, com seus sentimentos, reações e emoções. Com requintes de crueldade, vemos a crescente onda de radicalismo e preconceito voltar a ocupar espaço na mídia, além do fortalecimento de atitudes de “tolerância zero” para com as coisas com as quais não se concorda ou que não fazem parte de seu território: gostos musicais, formas de se vestir ou se portar, maneiras de falar... Tudo é motivo de desdém e repúdio. Formam-se grupos com incapacidade de relacionar-se e conviver com o que é diferente.

E o que fazemos? Assistimos: “isso não é comigo”.

Mata-se uma adolescente pelo toque de seu celular. Atira-se num jovem por diminuir repentinamente a velocidade numa lombada eletrônica. Espanca-se um colega por seu comportamento arredio ou “estranho”. Atos de violência são justificados por questões como essas. Nada faz sentido, não tem nexo.

Em que momento perdemos nossa capacidade de agir? Precisamos resgatar valores sólidos e ensiná-los aos nossos filhos e alunos, sem que percamos de vista a necessidade de ensiná-los e, acima de tudo, que coloquem em prática esses valores. Não só me preocupa quem agride ou quem é agredido. Preocupa, da mesma forma, quem é capaz de assistir a tudo e, simplesmente, “mudar o canal” e seguir seu caminho sem mobilizar-se ou, no mínimo, indignar-se e buscar uma solução. Onde foi que nos perdemos?