Ensino Médio
Postado em 30/06/2010 às 10:06 horas por Vânia Bittencourt.Com a mesma clareza com a qual nos vemos perante desafios que o mundo de hoje apresenta, tenho a certeza de que podemos, e muito, contribuir para mudá-lo.
Utopia? Idealismo demasiado? Ou esperança inócua? Nada disso: apenas a vontade de fazer acontecer. Só isso já torna possível pelo menos 50% do que queremos. Principalmente nós, educadores, que temos uma visão mais acurada da sociedade em que vivemos, e temos nossas palavras, nossa empatia, nossa profissão como ferramentas para proceder a mudanças.
Mas, como fazê-lo? Às vezes, parece muito difícil tomar atitudes para mudar situações adversas, coisas que vemos acontecer e que mobilizam sentimentos, porém, não conseguimos agir. Tenho refletido muito sobre isso e acho que, algumas vezes, buscamos soluções que estão fora de nosso alcance e, por isso, não agimos.
“Um passo de cada vez”, foi o que aprendi com meus pais, lição que carrego até hoje e que tem trazido a possibilidade de pensar antes de agir, tentando buscar o melhor caminho. Assim, vejo que nas pequenas ações é que se encontram as grandes soluções. Vamos começar com o que está próximo e palpável?
Adolescentes: como fazê-los sair da apatia e da descrença perante os fatos da vida e levá-los a agir de forma positiva? Uma das experiências mais ricas que já tive em toda minha vida profissional, na maior parte do tempo trabalhando com adolescentes, aconteceu enquanto buscava alternativas de atuação para despertar-lhes o “sentido da vida”, traçar projetos de vida e pensar no futuro. Pode parecer, para alguns, perda de tempo discutir assuntos como esses com os jovens. Mas, em que momento a família ou a escola tomam para si a responsabilidade por fazê-lo?
Com esse propósito embrenhei-me numa pesquisa para encontrar alternativas para a escola. Envolvê-los com esporte, música, arte eram algumas das possibilidades. Sim, mas e aqueles que não tem esses interesses ou habilidades? O que os mobilizaria? Procedi a um levantamento informal em turmas do Ensino Médio onde procurava falar sobre propósito de vida, missão pessoal e projetos de futuro. Não poderiam se ater apenas à escolha de uma profissão (tão precoce, não?), mas à escolha de “que pessoa gostariam de ser, o que gostariam de fazer por esse mundo”. Nessas conversas ouvi, inúmeras vezes, que gostariam de “fazer a diferença”. Isso me levou a pensar em alternativas que os levasse a realmente conquistar isso. Assim surgiu o projeto “Geração do Bem”, em 2003, que encontra-se disponível no portal e que, espero, seja um primeiro passo para grandes e consistentes trabalhos. Com o passar dos anos e com a adesão cada vez maior de jovens de todas as idades pude constatar que podemos e devemos acreditar que é possível a mudança.
O que realmente faz a diferença é viabilizar-lhes o contato com realidades que eles podem ajudar a mudar: aqui e agora. Trabalhar com o imediatismo dessa geração não é tarefa fácil, por isso, precisamos estar atentos a oportunidades de ação e reflexão no momento em que uma situação se apresenta. Pensar no futuro, para eles, é tão distante quanto nos parecem as outras galáxias. Não os afeta, não lhes pertence.
Assim, propor alternativas de ação em que percebam imediatamente os reflexos de suas atitudes é essencial para compreenderem que a toda ação corresponde uma reação, que pode ser extremamente positiva e transformadora.
Envolvê-los em ações solidárias, onde sejam valorizados pelo que fizerem, por menor que seja a atitude, traz um novo sentimento que despertará, com certeza, uma nova consciência. Não falo apenas de campanhas de arrecadação de alimentos, roupas ou outros elementos, mas da ação concreta de cada um. Falo em disponibilizar tempo, habilidades e conhecimentos ajudando a mudar a vida de outras pessoas, mesmo que por alguns momentos. Fazer companhia e recreação para idosos em asilos, brincar ou estudar com crianças carentes, ajudar pessoas com necessidades especiais são algumas das possibilidades que se apresentam para que nossos jovens sintam-se mobilizados a agir.
É compromisso, é voluntariado, mas, acima de tudo, é construir caráter e moldar comportamentos, direcionando-os a melhorar como seres humanos. Sei, também, que há colegas realizando ações fantásticas com o mesmo objetivo e, por isso, gostaria que enviassem para nós disponibilizarmos, através do portal, outros projetos de formação humana numa corrente de sinergia renovadora que promova o bem.
Talvez o fato de dar valor a pequenas atitudes possa mudar o rumo de alguns, trazer propósitos para outros ou despertar objetivos de vida para muitos e esses sejam os frutos que colheremos com nosso trabalho. Seja lá o que for, tenho certeza de que os estaremos ajudando a conquistar um desejo comum à grande maioria das pessoas: a satisfação inigualável de realmente poder fazer a diferença e tornar nosso mundo pelo menos um pouco melhor.
Veja também o Projeto Geração do Bem.
