Informação x Conhecimento
Postado em 10/05/2011 às 13:36 horas por Antonio.Um dos grandes desafios que encontramos na sala de aula é passar o conhecimento para nossos alunos. Porém, o que notamos nos dias atuais e a cada passagem de ano é que nós não estamos nos aprofundando em construir conhecimento e sim informação. Qual a diferença?
Paulo Freire cita que “conhecimento emerge apenas através da invenção e reinvenção, através de um questionamento inquieto, impaciente, continuado e esperançoso de homens no mundo, com o mundo e entre si". Ou seja, para que haja o conhecimento na prática, é preciso trabalhar com o interacionismo. Se faz necessário inovar na metodologia, procurando provocar no aluno a capacidade de argumentação, com o objetivo de trabalhar o ponto de vista dos mesmos. A informação se torna passageira. Notamos essa passagem, quando retomamos com nossos educandos alguns conteúdos que os mesmos não lembram de terem estudado. Mas, segundo Piaget, vale salientar que o começo do conhecimento é a “ação do sujeito sobre o objeto”, ou seja, o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-objeto. Diante disso, a interação descrita acima é o ponto culminante da transformação da informação em conhecimento. Não haverá conhecimento se não buscarmos alternativas que propiciem a interação do homem com o meio. Antes de mais nada, o conhecimento deve inicialmente ser trabalhado pela família.
Para Vygotsky, a criança nasce inserida num meio social, que é a família, e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. Nas interações cotidianas, a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem, no contexto das situações imediatas. Já Richter, ao referir-se ao interacionismo, observa a necessidade de se dar ênfase à interação conversacional entre as crianças, para terem, com isso, acesso a input significativo e compreensivo (agir sobre uma mensagem para verificar o que entendeu sobre determinado assunto), com vistas à chegarem à negociação de sentidos (expressar e esclarecer intenções, pensamentos, opiniões). Através dessa negociação de sentidos, a criança poderá produzir uma nova mensagem sobre o que realmente entendeu (output). Diante destas citações, podemos notar que se tornaria mais fácil o conhecimento em sala de aula se a família tivesse este olhar interacionista: aprender com a criança, devolver o fato dando-lhe significado, ouvir mais, participar mais. Por outro lado, nós educadores temos a responsabilidade de fazer o conhecimento aflorar no dia a dia em sala de aula. Precisamos conscientizar os outros professores e alunos a usar a informação, na direção do enriquecimento intelectual, na autoinstrução, transformando-a em conhecimento. Assim, vamos perceber que a informação é a semente do grande fruto: o conhecimento.
Bibliografia:
- VYGOTSKY, LEV S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987. 135 p. (Coleção Psicologia e Pedagogia);
- VYGOTSKY, LEV S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3ª.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. 168p. (Coleção Psicologia e Pedagogia. Nova Série);
-RICHTER, MARCOS GUSTAVO. Ensino do português e interatividade. Santa Maria: Ed. UFSM, 2000.136 p;
-SCHAFFER, MARGARETH. "O construtivismo-interacionista e as novas intersecções". In: Anais: I Seminário Internacional de Alfabetização & Educação Científica. Ijuí : UNIJUÍ, 1993.
Planejamento Interdisciplinar
Postado em 01/05/2012 às 08:41 horas por Antonio. Mais um ano letivo se inicia e nós, educadores, temos um grande desafio: garantir a aprendizagem de nossos alunos. Para isso, todos devemos, primeiramente, reunir esforços para a criação de um planejamento escolar inovador e motivador.
Entra ano, sai ano e os planejamentos não mudam, pois são vistos mais como processo burocrático do que como ferramenta para garantir a eficácia do processo ensino-aprendizagem. De forma a alcançar resultados positivos em nossa prática em sala de aula, seguem sugestões para a elaboração de um planejamento eficiente.
1. O coordenador pedagógico deve reunir todos os professores para em grupo criar um planejamento interdisciplinar;
2. Professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 devem ajudar uns aos outros na elaboração do planejamento. A ideia é que seja produzido coletivamente, não de forma individualizada. Assim, cada qual pode somar no planejamento, inovando nas atividades, na metodologia, nos projetos etc.;
3. Professores do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio devem elaborar o planejamento distribuídos por área.
Grupo 1 — Professores de Língua Portuguesa e suas tecnologias;
Grupo 2 — Professores de Ciências Humanas e suas tecnologias;
Grupo 3 – Professores de Ciências da Natureza e suas tecnologias;
Grupo 4 – Professores de Matemática e suas tecnologias.
Vale salientar que a Coordenação Pedagógica deve organizar um calendário por área de conhecimento para facilitar o trabalho dos professores do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio. Cabe ao coordenador pedagógico acompanhar o planejamento na prática e verificar se houve mudança na didática e nos resultados propostos. Para maior aprofundamento desta proposta pedagógica, sugiro leitura do material do professor (Saberes e Práticas Docentes).
Avaliação
Postado em 22/05/2012 às 15:58 horas por Antonio.Atualmente notamos grande preocupação por parte dos gestores com relação à maneira que as avaliações estão sendo elaboradas e aplicadas. Não percebemos a preocupação do professor nessa elaboração, quando seu olhar deveria ser dirigido a uma avaliação que identifique os motivos que levam o aluno ao não entendimento dos conteúdos dirigidos e não meramente a uma ferramenta cujo o objetivo seja o de registrar apenas a nota. A avaliação, para alguns estudiosos, serve para medir o conhecimento do aluno, mas podemos dizer também que serve para identificar em quais pontos o educando demonstra ter dificuldade e o que nós educadores devemos fazer para resgatar os conteúdos que não foram alcançados por ele. A avaliação se dá por meio de leitura contínua. Avaliar continuamente facilitará ao professor identificar os conhecimentos dos alunos e fará com que ele busque melhorar cada vez mais sua metodologia.
Não é indicado usar apenas um modelo avaliativo, pois cada aluno tem um ritmo a seguir. Por isso, há diversas maneiras de avaliar: trabalhos acadêmicos individuais, trabalhos em grupo, seminários, chat, fóruns etc. Ao fazer uso dessa metodologia, o professor oferece ao aluno a oportunidade de demonstrar os conhecimentos adquiridos na sua totalidade. Um ponto importante é a estimulação didática em sala de aula, com o objetivo de o aluno expor suas ideias. Já foi o tempo em que o professor era o centro do universo e os alunos não tinham a chance de se expressar. Em sala o professor deve sempre questioná-los: O que pensa sobre... O que aconteceria se... Em que medida está certo que... etc. Tornar ou fazer do aluno um ser crítico é papel fundamental da instituição de ensino, além de formar um verdadeiro cidadão, mas vale salientar que um dos principais papéis do professor é incentivar o aluno à leitura, indicando bibliografias, dando orientação precisa sobre as solicitações das atividades e feedback das mesmas. Porém, o processo avaliativo de nada adianta se o professor não demonstrar responsabilidade em sua elaboração. Nota-se em algumas análises avaliativas que a nota baixa em sua maioria está inserida na má estrutura avaliativa, como provas longas, falta de parâmetros para correção, mau planejamento e erros ortográficos.
Outro ponto preocupante é quando a avaliação é 100% objetiva. O professor deve abordar questões contextualizadas e de grande importância, evitando que o aluno apenas decore-as. Evitar perguntas sobre assuntos controvertidos permite ao professor ter a certeza para argumentar o porquê do aluno não ter acertado, É importante também considerar a reação do estudante à questão, valorizando sua resposta. Numa elaboração de prova, é preciso pôr em prática palavras-chave, que busquem tirar dos alunos os conteúdos trabalhados. Por exemplo: cite, relacione, aplique, com base no texto, apresente as características, analise, faça uma análise, justifique sua resposta etc.
Entretanto, mesmo que a elaboração avaliativa esteja dentro desses parâmetros, nada disso adianta se a forma de correção do professor não for justa. Na verdade, há diversas formas de corrigir uma avaliação: fazer anotações da prova e não apenas marcar o certo ou o errado, conversar com o aluno individualmente, dentre outras. Devolver a prova com pontualidade também auxilia nesse processo. A avaliação torna-se positiva quando o autor busca, por meio dela, motivar seus alunos a tornarem-se cidadãos críticos.
Podemos concluir que a avaliação é uma ferramenta de uso contínuo e precisa, quando fundamentada na realidade posta em sala de aula e, ao mesmo tempo, como um termômetro, que não serve apenas para medir a aprendizagem significativa do aluno, mas a metodologia aplicada pelo professor de maneira correta, objetivando no aluno o desenvolvimento das competências e habilidades.
